A esponja de cozinha como microcosmos: nem sempre se vê, se cheira ou se sente a contaminação bacteriana

Também os agentes patogénicos multiplicam-se ali e podem propagar-se a partir daí

01.07.2026
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Nas esponjas de cozinha convencionais («esponjas para lavar panelas») não só se encontram inúmeras espécies de «micróbios comuns», como também podem ser detetadas bactérias patogénicas, tais como a salmonela ou a Escherichia coli. Estas podem instalar-se nas esponjas, multiplicar-se e, a partir daí, ser transmitidas para outras superfícies da cozinha, como demonstra um novo estudo realizado pelo Instituto Federal de Avaliação de Riscos (BfR). É digno de nota que não se notava qualquer colonização por micróbios nas esponjas: estas não apresentavam alterações visíveis no que diz respeito ao odor, nem pareciam visivelmente sujas ou gordurosas. Por isso, é ainda mais importante trocar as esponjas a intervalos regulares, para evitar infeções no lar, sublinham os investigadores. «Não são poucas as infeções alimentares que têm origem nos lares particulares e nem sempre se superam com apenas um ou dois dias de mal-estar», afirma o presidente do BfR, Andreas Hensel. «Para grupos de pessoas particularmente vulneráveis, como idosos ou doentes, mas também crianças pequenas, essas infeções podem revelar-se bastante perigosas.» O estudo foi publicado na revista especializada «Journal of Food Protection».

De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), estima-se que ocorram anualmente 600 milhões de infeções alimentares em todo o mundo. São especialmente conhecidos e registados os surtos que afetam várias pessoas e que têm origem no contexto de cozinhas industriais ou serviços de catering. No entanto, segundo os especialistas, a própria cozinha doméstica é frequentemente fonte de infeção, por exemplo, quando, durante a preparação de alimentos contaminados, como a carne de frango, os microrganismos são espalhados devido a uma higiene insuficiente na cozinha.

Uma vez na cozinha, as esponjas constituem um reservatório ideal para agentes patogénicos bacterianos, devido à sua superfície porosa e à humidade presente. Os restos de alimentos que ficam retidos nas esponjas servem de «alimento» e fornecem os nutrientes necessários à proliferação das bactérias. É assim que se explica o facto de as esponjas de cozinha, normalmente, ficarem colonizadas por inúmeros tipos de microrganismos logo após o início da sua utilização. Sabe-se também que, em comparação com outros reservatórios, como o lava-loiça ou as tábuas de cortar, a carga bacteriana nas esponjas é, regra geral, mais elevada.

No estudo atual, os investigadores demonstraram que também os microrganismos patogénicos podem fixar-se nas esponjas. Para tal, aplicaram nas esponjas soluções contendo Escherichia coli e salmonelas — importantes agentes causadores de infeções alimentares — em diferentes concentrações. Além disso, algumas esponjas foram humedecidas com uma solução contendo Staphylococcus aureus. Estas bactérias podem produzir toxinas capazes de causar intoxicações alimentares. Verificou-se que todas as bactérias analisadas, partindo de contagens bastante baixas, se multiplicavam consideravelmente em poucos dias e conseguiam sobreviver mesmo após vários dias de secagem. Em experiências adicionais, os investigadores demonstraram que basta uma ligeira pressão para transferir os microrganismos das esponjas para uma superfície. Em última análise, as bactérias podem chegar aos alimentos por contacto direto e — se estes forem consumidos sem serem devidamente aquecidos — causar uma infeção alimentar; para tal, basta, por vezes, uma contagem bacteriana muito baixa.

Muitos consumidores decidem quando substituir a esponja com base na aparência ou no cheiro. No entanto, este é um indicador muito pouco fiável, pois mesmo com uma contagem elevada de bactérias, os investigadores não observaram alterações visíveis nas esponjas utilizadas na experiência. A frequência com que as esponjas devem ser substituídas depende, entre outros fatores, da sua utilização. Se a esponja tiver sido utilizada, por exemplo, para limpar superfícies que estiveram em contacto com carne crua, deve ser deitada fora imediatamente a seguir. Em alternativa, a carga bacteriana pode ser reduzida através de um tratamento de, pelo menos, dois minutos com água a mais de 70 °C. Especialmente em ambientes onde vivem pessoas com o sistema imunitário enfraquecido — doentes, crianças ou idosos —, as esponjas de cozinha devem ser substituídas com maior frequência. Como alternativas às esponjas de cozinha, podem também ser consideradas escovas ou panos de microfibra, que, de acordo com estudos anteriores, apresentam contagens de micróbios mais baixas. Secam mais rapidamente e podem ainda ser lavados na máquina de lavar louça ou na máquina de lavar roupa. Para que a carga bacteriana seja efetivamente reduzida, devem ser utilizados programas com temperaturas de, pelo menos, 60 °C.

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