Não abrande — acelere: uma nova abordagem à investigação sobre o cancro

Equipa de investigação desenvolve uma nova estratégia contra o cancro do pâncreas

25.08.2026
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E se pudéssemos combater o cancro ativando especificamente uma enzima fundamental, em vez de a desativar? Foi exatamente isso que uma equipa de investigação da Universidade de Marburg conseguiu, pela primeira vez, com a enzima PRMT1. Os cientistas desenvolveram uma pequena molécula chamada TR-07 que ativa a PRMT1. Como resultado, as células cancerígenas do pâncreas morrem mais facilmente e um regime de quimioterapia já estabelecido revela-se mais eficaz num modelo em ratos. A descoberta abre um novo caminho na investigação do cancro e foi agora publicada no Journal of Medicinal Chemistry ( https://doi.org/10.1021/acs.jmedchem.5c03281 ).

Uma mudança de perspetiva

A surpresa: até agora, os investigadores de todo o mundo têm procurado principalmente compostos que inibam as enzimas PRMT responsáveis pelo cancro. As descobertas da equipa de Marburgo, liderada pela Prof.ª Dra. Uta-Maria Bauer, do Instituto de Biologia Molecular e Investigação Oncológica, pela Prof.ª Dra. Wibke E. Diederich, do Instituto de Química Medicinal, e pelo Prof. Dr. Peter Kolb, do Instituto de Química Farmacêutica, sugerem uma abordagem diferente: que exatamente o oposto — a ativação, em vez da inibição — poderia ser eficaz para certos tipos de cancro e doentes. Com o TR-07, os investigadores conseguiram desenvolver o primeiro ativador seletivo da PRMT1 — uma metiltransferase de arginina que pode, por exemplo, promover a morte de células tumorais no cancro do pâncreas.

Um avanço alcançado através de uma estreita colaboração e de um golpe de sorte

Por trás deste sucesso está uma estreita colaboração entre várias disciplinas na Universidade de Marburg e a vontade de investigar exaustivamente até mesmo resultados inesperados. O ponto de partida foram descobertas anteriores do grupo de investigação do Prof. Bauer sobre o papel de vários membros da família PRMT no desenvolvimento de tumores, incluindo a enzima PRMT1, que pode atuar como supressor tumoral no cancro do pâncreas. No laboratório do Prof. Kolb, foram utilizados métodos assistidos por computador para descobrir não só muitos inibidores não seletivos, mas também, por acaso, um composto ativador promissor. Esta descoberta surpreendente foi então desenvolvida no laboratório do Prof. Diederich. O Dr. Christian Iking sintetizou a molécula, desenvolveu numerosas variantes e, assim, avançou significativamente no seu desenvolvimento químico. A investigação realizada no laboratório do Prof. Bauer proporcionou os insights cruciais sobre os efeitos do TR-07 e dos seus derivados. A Dra. Sepideh Salehipour-Bavarsad, em conjunto com a Dra. Caroline Bouchard e a Dra. Marion Meixner, conseguiu demonstrar como esta nova classe de compostos influencia a atividade enzimática in vitro e quais os efeitos biológicos daí resultantes em culturas celulares e em modelos animais. As análises de biologia estrutural realizadas pelo grupo de investigação do Prof. Dr. Gert Bange ajudaram a esclarecer como e por que razão o TR-07 poderia ativar a enzima. A Sra. Salehipour-Bavarsad e o Sr. Iking são coautores principais deste estudo. Este projeto colaborativo foi financiado principalmente pela Fundação Alemã de Investigação (DFG), no âmbito do SFB TRR81 «Alterações da cromatina na diferenciação e na malignidade» e do KFO325 «Relevância clínica das interações tumor-estroma no cancro do pâncreas».

Um longo caminho da investigação básica à terapia

Ainda há um longo caminho a percorrer antes que um medicamento possa ser desenvolvido. Em primeiro lugar, os investigadores pretendem aperfeiçoar ainda mais o TR-07 e determinar quais os tipos de cancro que mais beneficiariam desta abordagem. No futuro, este princípio poderá ajudar a melhorar as quimioterapias existentes através de tratamentos combinados direcionados. Ao mesmo tempo, o estudo destaca as oportunidades que surgem quando as áreas da farmácia, da química e da investigação oncológica colaboram estreitamente na Universidade de Marburgo — desde a procura assistida por computador de uma molécula até à demonstração do seu efeito no organismo.

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