Novos antibióticos descobertos para tratar germes multi-resistentes

Uma conhecida bactéria do solo produz um antibiótico anteriormente desconhecido que foi descoberto através de métodos de fracionamento melhorados

05.06.2026
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Uma equipa de investigação da Universidade de Hamburgo descobriu uma nova substância ativa numa bactéria do solo que já tinha sido amplamente estudada. O antibiótico identificado, "manikomicina", demonstrou ser eficaz contra bactérias multirresistentes. Os primeiros estudos pré-clínicos apontam para o seu potencial. Os resultados foram publicados na revista "Nature".

Um dos principais desafios na luta contra a resistência aos antibióticos é a identificação de novos agentes antimicrobianos. Os compostos naturais produzidos por fungos e bactérias têm sido a fonte mais importante de novos antibióticos nas últimas décadas. No entanto, estes microrganismos foram recentemente considerados como tendo sido largamente explorados - incluindo os chamados actinomicetas.

"Ao empregar métodos de fracionamento melhorados, conseguimos agora demonstrar que mesmo estirpes bem estudadas de actinomicetos produtores de antibióticos podem produzir novas estruturas químicas com mecanismos de ação únicos", diz Max Berger, estudante de doutoramento no Departamento de Química da Universidade de Hamburgo e coautor do primeiro estudo.

A investigação levada a cabo pela equipa de Hamburgo, pela Universidade McMaster em Ontário (Canadá) e pela Universidade de Illinois em Chicago (EUA) centrou-se numa bactéria do grupo dos actinomicetos. A Streptomyces rimosus é conhecida principalmente como produtora do antibiótico oxitetraciclina, que é utilizado, entre outras coisas, para tratar infecções oculares. Os investigadores conseguiram agora isolar da bactéria um outro antibiótico até agora desconhecido, a que deram o nome de manikomicina.

"A manikomicina pode matar grupos de bactérias multirresistentes e não é suscetível aos padrões de resistência associados aos antibióticos utilizados clinicamente", explica Berger. Nos primeiros estudos em ratos, o novo antibiótico demonstrou uma tolerabilidade aceitável. No entanto, ainda não foi observada uma eficácia suficiente nos primeiros modelos de infeção, uma vez que a substância ativa parece degradar-se de forma relativamente rápida no plasma sanguíneo. "Os resultados sugerem que a exposição insuficiente ao plasma, e não a inatividade fundamental, é responsável pela baixa eficácia", afirma Berger. É, no entanto, possível que as propriedades farmacológicas da manicomicina possam ser melhoradas através de novas investigações.

Em geral, os investigadores consideram a descoberta desta nova substância ativa como uma indicação significativa de que os microrganismos já conhecidos continuam a ter um grande potencial para o desenvolvimento de novos antibióticos.

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